terça-feira, dezembro 12, 2006

Iguaí completa 54 anos e pede mais ações para desenvolver potencialidades e criar oportunidades

Iguaí, situada no sudoeste da Bahia, a 497 km de Salvador, é privilegiada pela natureza. Não é à toa que seu nome significa “fonte de água”. A cidade possui uma bacia hidrográfica com mais de 1.800 nascentes e 180 cachoeiras, o que tem proporcionado o desenvolvimento do turismo ecológico, rural e de aventura. Com seu território localizado totalmente nos limites da Mata Atlântica, Iguaí conta ainda com 16% de reservas florestais remanescentes (resta em todo o Brasil apenas 7% de toda Mata Atlântica original). Além disso, a economia diversificada, que flutua entre a pecuária leiteira, o cacau, o café, a cana-de-açúcar, a mandioca e os hortifrutigranjeiros, fazem do município um lugar de oportunidades e potencialidades.

Por entre serras, penhascos e vales, as nascentes vão compondo um grandioso manancial de água doce, com belas quedas d’água, cascatas e rios que deságuam no Rio Gongogi. E este cenário, além de maravilhoso, constitui uma das mais importantes sub-bacias hidrográficas do Rio de Contas. Com 26.500 habitantes, Iguaí tem perdido mais oportunidades e, conseqüentemente, tem visto suas potencialidades não serem exploradas. A cidade dispõe de um acesso rodoviário feito pela BR-116 até Poções e depois entra pela BA-262, para dar acesso aos outros municípios, o que significa um volta de quase 150 km, caso houvesse uma nova rodovia, seriam apenas 40 km.

Para se ter uma idéia, com a construção desta nova estrada, Iguaí teria acesso a dois povoados da cidade de Boa Nova, Altamira e Valentim, facilitando ainda o acesso a Dário Meira, chegando aos outros municípios como Itagiba, Ipiaú, Ibirataia e Gandu. Também facilitaria o acesso até o Porto de Maraú e Brasília. Os agricultores da região alegam prejuízos, já que a falta da estrada tem provocado a queda na comercialização da produção, além da desvalorização imobiliária. Empresários, produtores, rurais, comerciantes e autoridades locais têm buscado junto ao Governo do Bahia a estadualização do trecho de 40 km de rodovia municipal. Não obstante, a população local fez um documento reivindicando a estrada às autoridades competentes.

HISTÓRIA – Emancipado em 12 de dezembro de 1952, Iguaí possui um clima tropical, temperatura média anual em torno de 26º C e uma história bem jovem e muito viva nas recordações de seu povo. Hoje a cidade completa áureos 54 anos. As primeiras casas de taipa foram construídas no tempo em que a região abrigava tão somente tropeiros em seus pernoites por volta de 1929. Comerciantes desbravadores dos sertões, eles levavam em suas bagagens todas as novidades possíveis da capital baiana para o interior do Estado.

No início, o povoado foi denominado de Lavrinha, uma referência aos colonos do major Fulgêncio, vindos das Lavras. Depois, talvez pelas atividades comerciais também exercidas pelo major, o lugar se tornou o “Comercinho do Major Fulgêncio”, para em seguida e finalmente se chamar Iguaí, uma homenagem aos índios que habitavam a região. Foram os colonos que trouxeram as primeiras demonstrações do folclore local, e hoje, o Terno de Reis e o Bumba-meu-boi, por exemplo, é tanto parte da cultura quanto da tradição da cidade.

Com tantas belezas naturais, o turismo e uma economia que deseja expandir-se cada vez mais, promovendo assim, irremediavelmente, o crescimento e desenvolvimento do município, o que Iguaí mais deseja de “presente de aniversário” seria a maior atenção das autoridades. Um acesso rodoviário fácil e rápido seria capaz de concretizar isso. O município, longe de ser um “bolsão de miséria”, possui indicadores sociais bem abaixo das suas potencialidades. Portanto, ações governamentais mais efetivas são necessárias para que a cidade alcance seu patamar sócio-econômico de fato e de direito.