segunda-feira, dezembro 04, 2006

Especialista alerta: combater a dengue é dever de todos

O verão reúne as condições ideais de transmissão da dengue, por concentrar, ao mesmo tempo, calor e chuva. “Combater a dengue, evitando criar as condições de reprodução do mosquito, é dever de todos, pois só se evita um surto dessa doença com decisões coletivas”, alerta o consultor da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Ilhéus, Julio Diaz.especialista. Ele lembra que “cerca de 80% dos focos do mosquito estão dentro de nossas casas e na sua periferia, como a bandeja da geladeira, os vasos de planta, um banheiro esquecido, não utilizado”. O médico diz que os locais “onde mora o perigo” são facilmente identificáveis: tanques, tonéis, barris, todos os reservatórios de água limpa, não importa o tamanho.

O especialista reprova a auto-medicação em geral e, mais ainda, neste caso. “Dengue não é doença benigna, que passa rapidamente, e pode levar a complicações sérias em apenas 12 horas após o aparecimento dos sintomas”, alerta o consultor. E finaliza com uma informação sombria: “A cada surto aumenta o número de casos graves de dengue hemorrágica, que pode levar à morte”. Assim o combate à doença deve ser intensificado.

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) está ampliando as ações de vigilância ativa para o controle da dengue no estado, principalmente nos municípios com maior número de casos notificados, situados nas regiões Irecê, Sul e Sudeste. Para a médica Jesuína Castro, técnica da Vigilância Epidemiológica e presidente do Comitê Estadual de Combate à Dengue, a elevação da temperatura ambiente e a maior ocorrência de chuvas podem ter contribuído para o aumento do número de casos de dengue esse ano, em relação ao ano passado. A médica menciona ainda a baixa imunidade da população para os vírus em circulação no estado e a existência de criadouros potenciais do mosquito (tonéis, tanques e caixas d’água destampados, lixo exposto, pneus, vasos e plantas mantidos em água, entre outros) nos domicílios e proximidades como fatores que podem levar ao aumento do número de casos de dengue.

SINTOMAS - É importante lembrar também a necessidade de se procurar um serviço de saúde, sempre que as pessoas apresentarem sintomas suspeitos da doença – febre alta, fraqueza, dores nos músculos e nas articulações, falta de apetite, dores de cabeça, náuseas, vômitos e, em alguns casos, manchas vermelhas na pele. “Todos os cidadãos que apresentarem esses sinais e sintomas devem procurar o serviço de saúde mais próximo, para o atendimento médico, a confirmação do diagnóstico e a conseqüente notificação da doença à Sesab”, lembrou o diretor da Vigilância Epidemiológica da Sesab, Edgar Lessa. Muitas escolas municipais (particulares e públicas), estão sendo procuradas pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde, para que sejam integradas como parceiras no trabalho de prevenção à dengue.

Dados do Ministério da Saúde mostram que de janeiro e setembro deste ano foram registradas 61 mortes decorrentes de dengue no Brasil. O número é o segundo maior na história do país, atrás apenas dos registros de 2002, quando 150 pessoas morreram em decorrência da doença. Só neste ano, houve cerca de 279 mil casos de dengue, enquanto em 2005 foram notificados aproximadamente 221 mil.

VARIAÇÕES - No Brasil existem três variações de dengue, os tipos 1,2 e 3. Quem se infecta com um desses tipos não corre o risco de ter a mesma doença novamente, pois fica imunizado. Segundo o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Fabiano Pimenta, o problema é se esse indivíduo contrair a doença de tipos diferentes, pois ela virá de forma mais agressiva e o doente corre o risco de desenvolver a forma hemorrágica que pode levar à morte. “Esse é um dos fatores que favorece a manifestação de formas graves da doença e por conseqüência a ocorrência de óbitos”.

O mosquito Aedes Aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois no momento não dói e nem coça.

ORIENTAÇÃO - Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) a fêmea do Aedes voa até mil metros de distância de seus ovos. Com isso, os pesquisadores descobriram que a capacidade do mosquito é maior do que os especialistas acreditavam. Até então, eles sabiam que o Aedes só se distanciava cem metros. Ao ser observado o primeiro sintoma, deve-se buscar orientação médica no posto de saúde mais próximo. As pessoas que já contraíram a forma clássica da doença devem procurar, imediatamente, atendimento médico em caso de reaparecimento dos sintomas agravados com os sinais de alerta, pois correm o risco de estar com dengue hemorrágica, que é o tipo mais grave. Todo tratamento só deve ser feito sob orientação médica.

A boa vedação de tampas em recipientes como caixas d'água, tanques, tinas, poços e fossas impedirão que os mosquitos depositem seus ovos. Esses locais, se não forem bem vedados, permitirão a fácil entrada e saída de mosquitos. O acúmulo de lixo e de detritos em volta das casas pode servir como excelente meio de coleta de água de chuva. Portanto, as pessoas devem evitar tal ocorrência e solicitar sua remoção pelo serviço de limpeza pública - ou enterrá-los no chão ou queimá-los, onde isto for permitido. Não basta apenas trocar a água do vaso de planta ou usar um produto para esterilizar a água, como a água sanitária. É preciso lavar as laterais e as bordas do recipiente com bucha, pois nesses locais os ovos eclodem e se transformam em larvas.