quinta-feira, novembro 09, 2006

Laje amplia ações do Bolsa Família

A Prefeitura de Laje (no Vale do Jiquiriçá, a 220 km de Salvador) iniciou na última quarta-feira (dia 08.11) o recadastramento para o Bolsa Família com a aplicação do IGD-Índice de Gestão Descentralizada. O índice é um indicador previsto no próprio programa e visa identificar a melhoria das condições de vida da população contemplada e determinar o aumento no volume dos recursos destinado ás famílias.

O município vai ampliar as ações do programa do Governo Federal investindo em ações administrativas e nos âmbitos da saúde, educação e ação social. Ou seja, desde o correto preenchimento de questionários e demais documentos de cadastramento; atrativos para manutenção da frequência escolar; acompanhamento de gestantes, nutrizes e pesagem de crianças até 7 anos.

Quatro agentes sociais efetuam desde ontem a verificação das condições de pobreza das famílias já cadastradas. Segundo a prefeita Ilma Maria Barreto e a secretária municipal de Ação Social, Adinélia Andrade, "o município possibilita o encaminhamento para regularização de documentos, participação em oficinas de geração de renda como a de produtos para limpeza e criação de enxovais para recém-nascidos, além de providenciar atendimento médico em caráter de urgência".

Elas disseram, ainda, do interesse do município em proporcionar melhoria nas condições de bem-estar social dessas famílias, inclusive com recursos da própria municipalidade. Para melhorar as condições nutricionais das famílias com baixo peso, a prefeitura de Laje está fornecendo equipamentos e ingredientes para o preparo, por agentes comunitários de saúde, de uma multimistura composta por aveia, soja, cascas de ovos, sementes de girassol, melancia, melão e folhas desidratadas. Os agentes estarão conduzindo também balanças portáteis, disponibilizadas pela prefeitura, para a pesagem das crianças.

Embora dados do IBGE sinalizem a existência de 2.700 famílias em situação de carência, em Laje, a prefeitura já cadastrou 4.500 famílias, 3 mil das quais recebem o Bolsa-família. A meses em que o montante pago pelo posto da CEF, de acordo com a funcionária na casa lotérica, injeta no município "valor superior aos R$ 150 mil".

EXEMPLO SENSÍVEL - Mãe de dois filhos menores de sete anos, desempregada, d. Railda de Jesus da Conceição, 41 anos, está com o marido acometido pela doença de chagas desde junho. Há três meses ele tenta sem sucesso obter o auxílio-doença junto ao INSS. Por conta dos dois filhos, a família recebe R$ 30 mensais do Bolsa-família. O dinheiro dá para comprar uma cesta básica mínima que dura uma semana. Segundo Railda, "um quilo de feijão, outro de arroz, mais um de açúcar, 250 grs de café, tempero, meio-quilo de carne-de-sertão e um peixe gelado".

- Os alimentos são cozidos em forno de lenha, pois o dinheiro não dá para comprar um botijão de gás. Quando a comida acaba, dona Railda, o marido e os filhos contam com a solidariedade dos vizinhos, também pobres como ela. A família dispõe de energia elétrica, pela qual paga a cota mínima mensal de R$ 5,45, e água encanada fornecida gratuitamente pela prefeitura. Railda é hipertensa, mas depende de amostras grátis para usufruir da medicação. Os remédios para o marido foram obtidas este mês pelo pai de Railda, um produtor rural aposentado, e custou R$ 84. As crianças - Romildo, de 7 anos, e Rosilene de Jesus Santos, 5 anos, estão na escola onde têm o reforço da merenda escolar.

D. Railda fez o cartão do Bolsa-família em 9 de março, mas só começou a receber os R$ 30 a partir de agosto. Ela está atenta para o fato de que as crianças não podem faltar à escola e têm que ser pesadas todo mês no posto médico. Do contrário, a família estará excluída do programa. (Fonte: Ascom de Laje)