quarta-feira, outubro 04, 2006

Especialistas conhecem marco de limite da cidade

Uma comitiva oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) conheceu ontem a nova descoberta que explica um pouco mais a história da fundação de Salvador. O marco que delimitava a cidade, primeira capital do Brasil em 1549, foi encontrado no distrito de Passé, em Candeias, no norte da Baía de Todos os Santos. O monumento, que traz a inscrição “T. do Tombo”, foi colocado no local por Tomé de Souza, primeiro governador geral do país, de acordo com documentos da época.

O superintendente do Iphan, Eugênio Lins, o arquiteto do órgão, Francisco Santana e o professor de arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Mário Mendonça foram os primeiros a ter contato com a pedra. “Não há dúvida, é mesmo um marco”, disse Lins, também arquiteto e professor da Ufba. “E é uma revelação muito importante sobre a nossa história”.

Munidos de máquinas fotográficas, eles registraram todos os ângulos possíveis do achado arqueológico, feito em pedra lioz. Empunhando um GPS – sistema de posicionamento global, de navegação baseado em satélite –, Mendonça encontrou a real localização da pedra, situada a 26m do nível do mar. “Essa é uma área pouco explorada, devemos ter mais atenção a esse pedaço da baía”, diz o professor que é também doutor em arquitetura pela Ufba e especialista em restauração de monumentos e centros antigos, pela universidade de Firenze, na Itália, encantado com a novidade.

O marco está situado na propriedade do aposentado Sizinio Ferreira, autor da descoberta. Historiador e pesquisador autodidata, ele usou a intuição depois de ler o seguinte trecho do Regimento de Tomé de Souza, escrito em 1548: “porque minha tenção é que a dita povoação (...) tenha de termo e limite seis léguas para cada parte (...) o qual termo mandareis demarcar de maneira que em todo o tempo se possa saber por onde parte”.

Depois, foi só raciocinar. “Como meu terreno fica exatamente a 36km da Igreja da Conceição da Praia, onde a cidade começou, esse tal marco deveria estar por aqui. Escavei e achei”, conta. Ele acredita que o outro marco deveria estar na região de Itapuã, próximo à Praia de Ipitanga.

Ontem, devido ao mau tempo na região, não era possível avistar Salvador, encoberta por nuvens. Mas, à frente, estavam visíveis a Ilha de Santa Teresa e o distrito de Caboto, também em Candeias. A descoberta foi revelada na edição do dia 17 de setembro do caderno Correio Repórter, do Correio da Bahia. A reportagem despertou o interesse dos professores e pesquisadores que, ontem, foram conferir a veracidade do achado, para a alegria de Sizinio. “Isso não é meu, é um patrimônio do Brasil. Só espero que eles cuidem bem do marco”, disse ao se despedir visivelmente emocionado dos visitantes.

O Iphan pretende retirar a pedra do local o mais rápido possível e guardá-la na sede do órgão, na Barroquinha. A idéia é promover, ainda, uma solenidade no local, com o registro de que Sizinio é o autor da descoberta. A partir daí, o objetivo é realizar um estudo de proteção da área para, em seguida, colocar o marco em seu local de origem. “Há também muitos monumentos na região que precisam ser tombados”, afirmou Lins. (Fonte: Correio da Bahia)