Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Editus e Academia de Letras lançam 3ª edição da Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus

A Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz estará lançando nesta quinta-feira (24), a 3ª edição do livro Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, de João da Silva Campos. A solenidade será às 18 horas, durante a sessão da Academia de Letras de Ilhéus, na rua Antonio Lavigne de Lemos, 39, com a palestra do acadêmico Raymundo Laranjeira, que ocupa a cadeira n° 25, cujo patrono é o autor.

Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus é considerada a obra mais importante da historiografia das Terras dos Ilhéus, conseqüentemente, da Região Cacaueira da Bahia. O livro é considerado uma espécie de “bíblia” da história de Ilhéus, desde os tempos das capitanias hereditárias. Sua importância documental é tamanha, que qualquer pesquisa historiográfica, na atualidade, sobre o município de Ilhéus e a região Sul da Bahia, começa por Silva Campos.

Essa é a razão para o empenho da editora para o relançamento do livro e do exaustivo trabalho de atualização ortográfica, explica a professora Maria Luiza Nora, diretora da Editus. A primeira edição é de 1947, o autor já havia falecido. As crônicas foram escritas entre os anos 36 a 37, depois foram juntadas e publicadas num livro. A segunda edição só ocorreu em 1981, quando Adonias Filho era presidente do Conselho Federal de Cultura, atendendo a um pedido do prefeito da época, Antonio Olimpio. O trabalho foi coordenado pelo escritor Fernando Salles.

A professora Maria Luiza – se responsabilizou pessoalmente pela revisão da obra - destaca que foram atualizadas determinadas palavras, mas sem mudar a grafia de nomes próprios nem de acedentes geográficos. Isso foi necessário para que o livro fique mais compreensível. Para esse trabalho a Editus contou com a ajuda da professora Maria Luiza Heine, José Nazal Soub, Maria Schaun.

No livro constam relatos sobre fatos importantíssimos como a “batalha dos nadadores” ou “massacre de Cururupe” em que foram vítimas os índios tupinambás, relatada numa carta de Mem de Sá ao rei de Portugal, em 31 de março de1560. “...Na noite em que entrei em Ilhéus fui a pé dar em uma aldeia que estava a sete léguas da vila em um alto pequeno, todo cercado de água, ao redor de lagoas. E a destruí e matei todos os que quiseram resistir e na vinda vim queimando e destruindo todas as aldeias que ficaram atrás. Porque o gentio se ajuntou e me veio seguindo ao longo da praia, lhes fiz algumas ciladas, onde os cerquei e os forcei a lançarem-se a nado ao mar de costa muito brava.

Mandei outros índios atrás deles, que os seguiram perto de duas léguas e lá no mar pelejaram de maneira que nenhum tupinikim ficou vivo. E os trouxeram a terra e os puseram ao longo da praia de forma que tomava os corpos, alinhados, perto de uma légua.”

Noutro trecho do livro Silva Campos refere-se aos ataques indígenas na região de Cairú “...e é iniciada a guerra dos aimorés. No governo de Manoel Teles Barreto (9.5.1583 a 27.3.1587), recrudesceram de maneira assustadora as incursões e assaltos dos aimorés no norte da capitania." Apesar da forma altamente didática dos seus relatos, Silva Campos, era engenheiro civil, dedicava-se à construção de estradas de ferro.

Para a diretora da Editus o relançamento de Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus é um resgate. “João da Silva Campos é considerado um grande historiador e um grande folclorista. Ele tem outros livros sobre as fortificações da Bahia, a música da Policia da Bahia, etc. O autor se interessava por temas diferentes, portanto qualquer das obras de Silva Campos que possa vir a ser reeditada é interessante, ele tem um trabalho que não pode ser perdido”, avalia a professora Maria Luiza Nora.